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Manifesto
 

b5   As pessoas “não são números! São homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz”[1]. Isso é precisamente o que todas as pessoas desejam: um tempo e um lugar para viver em paz, com perspetivas de esperança.


b5   Porque o nosso tempo é um tempo de crise, de desalento e incertezas, nós, na Universidade de Lisboa, pretendemos criar um espaço de reflexão onde “novas e velhas”[2] ideias sejam debatidas, procurando encontrar e oferecer perspetivas de esperança.


b5   Temos presente o facto de que, como cristãos, somos portadores de um “tesouro” de perspetivas de justiça social e equanimidade que se chama Doutrina Social da Igreja, a qual se enraíza profundamente nas tradições judaico-cristãs do nosso país; e que esta Doutrina pode e deve ser conhecida e refletida em ordem a abrir perspetivas de futuro.


b5   Consideramos, como cristãos, que as pessoas “não são números” e que pensar e atuar na economia exige ter presente a referência à transcendência a que todo o ser humano é, pelo próprio facto de existir, vocacionado. A dimensão do humano não se esgota na exploração económica por um “homem lobo do homem” (Hobbes) nem num devir intrinsecamente absurdo nem na mera imanência, carente de sentido.


b5   Esta nossa referência à transcendência – com a qual nos sabemos cometidos –, não a pretendemos impor a ninguém. Mas desejamos partilhá-la com tantos e tantos homens e mulheres, jovens e menos jovens, que são pessoas de boa vontade e acreditam que a justiça, a partilha, a honradez e o amor do próximo não são palavras vãs.


b5   Porque sabemos que há uma soma de valores extremamente preciosos, de que a nossa sociedade é portadora e nas quais reconhecemos o tesouro do nosso enraizamento cristão – valores que têm a ver com a justiça e a paz –, desejamos pô-la em comum com quantos nesses valores se reconhecem, como a base mínima e a exigência ética máxima daquilo a que podemos chamar democracia, solidariedade, respeito pelo próximo, tolerância, bem comum…


b5   Todos serão bem-vindos a esta iniciativa – docentes, funcionários não docentes, estudantes, antigos alunos, enfim todos os interessados –, para procurarmos avançar em direção a um futuro de esperança.


  
[1]BENTO XVI, Oração do Angelus, domingo, 15.1.2012, em referência aos “milhões de pessoas” envolvidas na emigração.
    [2]Mt 13,52: “Jesus disse-lhes então: “Todo o estudioso instruído acerca do Reino dos céus é como um dono da casa que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

ISEG, Lisboa, 2 de Fevereiro de 2012